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Jonathan MeninoDesign · Vídeo · Sites
Para todos 6 min de leitura

Seu site está pronto para ser lido por IA? 7 ajustes que fazem diferença

ChatGPT, Gemini e Perplexity já respondem por quem procura um serviço. Veja como deixar o seu site fácil de entender para essas IAs, sem truque e sem mistério.

Robô branco com o logo do Google segurando uma lupa ao lado de uma janela de navegador
Foto: Growtika no Unsplash

Pense em alguém que abre o ChatGPT e pergunta: “qual clínica de fisioterapia em Limeira atende aos sábados?”. A resposta vem pronta, com dois ou três nomes. Esse alguém talvez nem abra o Google.

Para aparecer nessa resposta, o site da clínica precisa ser fácil de ler para uma máquina. Não é mágica e nem uma técnica nova: é, em grande parte, o que um site bem feito já deveria ter. A diferença é que agora deixar de lado custa mais caro.

Neste artigo eu explico como as IAs leem um site e os 7 ajustes que eu aplico em todo projeto.

Como uma IA lê um site

Quando uma IA busca informação na internet, ela manda um robô visitar as páginas, mais ou menos como o Google faz há 25 anos. Esse robô baixa o HTML, separa o texto, tenta entender do que a página trata e guarda o que for útil para responder perguntas.

Dois detalhes importam muito aqui:

  • Muitos robôs de IA leem só o HTML que chega do servidor. Estudos de 2024 mostraram que os robôs da OpenAI, da Anthropic e da Perplexity, por exemplo, não executam JavaScript. Se o texto do site só aparece depois que um script roda, para eles a página está vazia.
  • Eles têm pressa. Uma página lenta ou que trava pode ser abandonada antes de terminar de carregar.

Ou seja: o site precisa entregar o conteúdo pronto, organizado e rápido.

1. Conteúdo no HTML, não escondido em JavaScript

O primeiro teste é simples: abra o seu site, clique com o botão direito e escolha “Exibir código-fonte da página”. Procure pelo texto principal, o nome dos serviços e o endereço. Se eles aparecem ali, ótimo. Se você só vê um monte de script e quase nenhum texto, a IA também vê só isso.

Isso costuma acontecer com sites montados como “aplicativos”, em que tudo é desenhado pelo navegador depois de abrir. Sites estáticos (como os feitos com Astro) e páginas geradas no servidor entregam o texto pronto desde o primeiro instante.

2. HTML semântico: cada coisa com o nome certo

Para uma pessoa, um texto grande e em negrito parece um título. Para uma máquina, só é título se estiver marcado como título. Por isso:

  • Um único h1 por página, dizendo o assunto principal.
  • Subtítulos h2 e h3 em ordem, como um sumário.
  • Listas de verdade (ul, ol) para serviços, etapas e benefícios.
  • Tabelas de verdade para horários, planos e comparações.
  • Botões e links com texto que faz sentido sozinho: “Ver planos de hospedagem” em vez de “Clique aqui”.

Esse cuidado também ajuda quem navega com leitor de tela. O que é bom para acessibilidade quase sempre é bom para IA.

3. Dados estruturados: a ficha técnica do negócio

Dados estruturados são um bloco de código invisível para o visitante, no padrão Schema.org, que diz com todas as letras: isto é uma empresa, este é o endereço, este é o horário, estes são os serviços. Google, Bing e outras ferramentas usam essas informações há anos, e elas tiram a dúvida da máquina.

Um exemplo simples para um negócio local:

{
  "@context": "https://schema.org",
  "@type": "LocalBusiness",
  "name": "Clínica Exemplo",
  "telephone": "+55 19 99999-9999",
  "address": {
    "@type": "PostalAddress",
    "addressLocality": "Limeira",
    "addressRegion": "SP"
  },
  "openingHours": ["Mo-Fr 08:00-19:00", "Sa 08:00-12:00"]
}

Dá para fazer o mesmo com artigos de blog, produtos, perguntas frequentes e eventos. Depois, valide no teste de resultados ricos do Google.

4. Texto que responde perguntas de verdade

A IA monta a resposta com o que encontra escrito. Se o site diz só “soluções completas com excelência e qualidade”, não sobra nada para ela usar.

Escreva o que um cliente perguntaria:

  • O que você faz e para quem, com palavras simples.
  • Onde atende (cidade, bairro, se atende online).
  • Quando atende (dias e horários).
  • Quanto custa, nem que seja uma faixa ou um “a partir de”.
  • Como contratar: WhatsApp, formulário, agendamento.

Uma seção de perguntas frequentes é perfeita para isso: cada pergunta vira um h3, cada resposta é um parágrafo curto e direto.

5. Velocidade: site rápido é lido por inteiro

Velocidade sempre foi importante para o visitante e para o Google. Para os robôs de IA vale o mesmo: uma página leve abre na hora e é lida até o fim.

O que mais pesa na maioria dos sites que eu analiso:

  • Imagens enormes, sem compressão e fora do formato WebP ou AVIF.
  • Plugins demais (no WordPress isso é muito comum), cada um carregando seus próprios arquivos.
  • Fontes, chats e scripts de terceiros carregando antes do conteúdo.

Um site estático, sem banco de dados e com as imagens otimizadas, costuma tirar nota máxima no PageSpeed Insights sem esforço extra. Este blog, por exemplo, é feito assim.

6. Deixe os robôs entrarem

Parece óbvio, mas muita gente bloqueia sem saber. O arquivo robots.txt (fica em seusite.com.br/robots.txt) diz quais robôs podem visitar o site. Alguns temas, plugins de segurança e serviços de proteção bloqueiam robôs de IA por padrão.

Os principais nomes para conferir:

RobôDe quemPara quê
OAI-SearchBotOpenAIBusca do ChatGPT
GPTBotOpenAITreino dos modelos
Claude-SearchBot e ClaudeBotAnthropicBusca e treino do Claude
PerplexityBotPerplexityBusca da Perplexity
Google-ExtendedGoogleUso no Gemini (não afeta a busca do Google)
BingbotMicrosoftBusca do Bing e do Copilot

Se o objetivo é aparecer nas respostas, libere pelo menos os robôs de busca. Liberar o treino é uma decisão sua. Aproveite e confira se o robots.txt aponta para o sitemap, a lista de todas as páginas do site:

User-agent: *
Allow: /

Sitemap: https://seusite.com.br/sitemap-index.xml

7. Um resumo para máquinas: o llms.txt

O llms.txt é uma proposta recente: um arquivo de texto simples na raiz do site (seusite.com.br/llms.txt) que resume quem você é, o que faz e quais são as páginas mais importantes, escrito para uma IA ler.

Sendo honesto: ele ainda não é um padrão oficial e nenhuma das grandes empresas confirmou que usa. Mas custa cinco minutos, não atrapalha nada e já é lido por algumas ferramentas. Eu coloco nos meus projetos e você pode ver o deste site aqui.

Checklist rápido

Antes de colocar um site no ar, eu confiro:

  1. O texto principal aparece no código-fonte da página.
  2. Há um único h1 e os subtítulos estão em ordem.
  3. Os dados estruturados estão no lugar e passam no teste do Google.
  4. O site diz o que, onde, quando, quanto e como contratar.
  5. A nota de desempenho no PageSpeed está no verde, no celular também.
  6. O robots.txt libera os robôs de busca e aponta para o sitemap.
  7. Existe um llms.txt com o resumo do negócio.

Nada disso exige reconstruir o site do zero. Na maioria das vezes, alguns ajustes já colocam a página em outro nível, para as pessoas, para o Google e para as IAs.

Se você tem uma agência: esse checklist é um ótimo argumento de venda. Cliente nenhum quer ficar de fora das respostas do ChatGPT, e poucas agências estão falando disso ainda.

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